RELATÓRIO DE VINDIMA 2012
O tamanho pequeno dos bagos e a frescura do clima durante o início do verão caracterizam os vinhos de 2012: concentrados, frescos e aromáticos.
Quinta de ERVAMOIRA:
A data da vindima está dentro da média dos últimos 5 anos, começámos com o Viozinho, foi colhido com menos grau que os anos precedentes, mas com maturação aromática. A maturação do Rabigato parou completamente, pois as uvas estavam muito aguadas e demorou muito tempo a aparecer qualquer aroma. No final, as uvas estavam um pouco fenólicas. O Arinto amadureceu lentamente. A Codega estava boa e o Folgazão muito interessante, com aromas apimentados, pinhões e até mentolados.
Os brancos demoraram a amadurecer, a vindima foi lenta e selectiva, com fruta e boa maturação aromática e algum tanino em casos pontuais. A sanidade foi óptima e a triagem foi feita unicamente na vinha.
Quanto aos tintos, igualmente dentro da média de início da vindima, a Tinta da Barca foi a primeira a amadurecer em muito bom estado: aromáticas, com grau, e baixo pH. A Touriga Nacional apresentou aromas mais frescos do que o habitual e, em geral, amadureceram lentamente e sem problemas. Foi um grande ano de Tinta Roriz, excepto nas zonas mais produtivas. A Barroca apresentou grande qualidade e frescura; a Trincadeira Preta estava muito boa. Ano bom para a Tinto Cão. O Sousão foi um pouco irregular. A Touriga Francesa teve algumas dificuldades de amadurecimento nesta vindima. Os tintos têm concentração e frescura, e taninos suaves. Em geral, a qualidade das uvas de 2012 é muito boa.
Quinta dos BONS ARES:
A vindima dos brancos nos Bons Ares começou no início de Setembro, dentro da média. O Sauvignon Blanc apresentou um excelente equilíbrio acidez-açúcar e expressão aromática. Após uma pequena trovoada, seguiram-se o resto dos brancos, provocando alguma diluição.
Os tintos começaram um bocado mais cedo do que o habitual. A Touriga Nacional encontrava-se muito expressiva e com pH baixo. A Touriga Francesa, não muito expressiva mas com alguma concentração e bagos pequenos.
De modo geral, a qualidade foi excelente nos brancos dos Bons Ares.
Quinta do BOM RETIRO:
A data de início da vindima ficou dentro da média dos últimos 5 anos, foi uma vindima muito rápida. As castas Tinta Roriz, Touriga Nacional e Barroca tiveram um aumento do grau provável muito rápido na semana anterior à vindima, sendo necessário agir com celeridade e vindimar tudo antes das chuvas de Setembro. Juntaram-se as vindimas de Ervamoira e Bom Retiro. Houve que definir as parcelas que seriam cortadas e as que podiam esperar, mas, felizmente, Ervamoira atrasou-se na maturação das castas Touriga Nacional e Touriga Francesa. Assim, fomos vindimando no Bom Retiro.
Vinhos produzidos em 2012:
Porto branco: ricos e maduros, bem estruturados.
Douro branco: vinhos sérios, não se mostram muito expressivos, mas são persistentes na boca e com boa estrutura e frescura natural.
Regional branco: Sauvignon expressivo e muito fresco, com aromas de frutos vermelhos, (cassis).
Porto tinto: muito bons vinhos para Lágrima, Ruby e Tawny, com fruto e muita concentração, tanto os provenientes de uvas de Ervamoira, como os do Bom Retiro. Os vinhos feitos em lagar apresentam um grande potencial, são firmes e concentrados e taninos finos.
Douro tinto: concentração e suavidade são as características principais e, dada a frescura do ano, não temos vinhos pesados. A Touriga Nacional é excepcional, boa qualidade na Tinta da Barca e Roriz. A priori, os vinhos são ricos e equilibrados.
Conclusão:
De modo global, vindimámos um pouco mais cedo do que o resto dos produtores da região. Especialmente no Bom Retiro, conseguimos fazer uma vindima selectiva a acompanhar a maturação das uvas e separamos na adega o mais possível para depois podermos analisar a qualidade da vinha. Foi um ano de muita concentração e, ao mesmo tempo, de frescura.